sexta-feira, 12 de março de 2010

Livro é um ser vivo

Estava eu posta em sossego sábado à noite, quando me ligou Pedro Lago, desesperado:
- Já mandou o arquivo do livro para a gráfica?
Eu respondi:
- Sim, claro.
- Ih, encontrei outro erro.
- Onde?
- Na citação de Balzac. Tem um R a mais numa palavra e nós não vimos...
- Esse é um erro fácil de passar, depois de tantos que já pegamos...

O livro passou por três provas de gráfica, fora as duas antes de mandarmos os arquivos para impressão. Mas não adianta: quantos mais erros houver no original, mais tempo levaremos para pegar todos, isto é, se quisermos pegar todos. Pois o olho não funciona como um instrumento de precisão. O olho é vago. Ele vê o que quer e o que ele não quer ver, descarta. Oblitera. Sublima.
Assim, toda revisão tem de ser feita de modo regular, periódico, sistemático e, se possível, por quem nunca tenha visto o livro antes.

- Como você encontrou o erro?
- Pedi a meu amigo para ler a citação em voz alta e aí ele viu que estava errado.
Eu disse:
- Pois é, você acabou de experienciar o livro dizendo para você onde ainda havia um erro. De onde você tirou a ideia de ler justamente a citação?
- Sei lá.
- É assim mesmo que funciona. O livro só pode nos fazer encontrar os erros que passaram por acaso, não tem outro jeito, pois nossa leitura é falha. A não ser que tenhamos todo o tempo todo mundo. Mas queremos ver o livro pronto, por isso não temos paciência para esperar.
- Entendi...

Pedro acabava de viver na pele como isso acontece. Pode ser que algum outro errinho tenha escapado. Nas sucessivas leituras que fizemos, eu e ele, sempre encontrávamos algo a mais que não tínhamos visto antes. E este (negligenciado por justamente estar logo na frente, e isso é comum) não poderia passar. Desse modo, de forma sutil, o livro indicou onde estava o erro, pedindo: "Leia-me."

Hoje topei com uma citação de Anaïs Nin: "Lemos aquilo que precisamos. Há quase uma força obscura que nos guia para determinado livro".

Isso eu experimento toda vez que entro numa livraria. O livro me "chama", seja lá onde ele estiver na prateleira. Realmente, é uma força estranha que entra em ação, me chamando para o livro onde ele está, debaixo de um, ao lado de outro, meu olhar busca o livro onde ele estiver escondido, e só pára no momento em que o encontra.

É uma mágica que se instala na atração irresistível de um livro chamando seu leitor: "Leia-me", da mesma forma que ele pede para ser corrigido antes de ficar pronto. É um apelo, um grito, uma dor, como se dissesse: "Corrija-me, por favor".

O antes e o depois de um livro ficar pronto cria uma energia elástica, uma sintonia plástica entre aquele que faz o livro e quem o compra para ler. Existe uma tensão entre aquilo que foi escrito e quem precisa lê-lo. E todas as forças entram em ação para que o objeto encontre seu fim, atinja seu destino.

"Lemos o que precisamos". Nem mais, nem menos. Se não sabe o que ler, espere: o livro o encontrará.

Rio de Janeiro, 10 de março de 2010 - 22h10
Texto de Thereza Christina Rocque da Motta
http://ibislibrisbooklog.blogspot.com

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Espontaneidade


"Papai, eu casei?" foi a pergunta da garotinha ao seu pai depois de ser dama de honra num casamento em Niterói.

domingo, 17 de janeiro de 2010

EXCLUSIVO: Leonardo Boff "O ser humano é um projeto infinito"


As palavras de Leonardo Boff nos remete à própria transcendência, pois que é ele a quintessência da fraternidade. Homem, filósofo, pensador, político, todas as dimensões nele cabem. Seu discurso objetiva dar sentido às lutas humanas, levantando bandeiras de preservação ecológica e cuidados com a Mãe Terra, afinal nossa Casa.
Ele espalha esperança, como fazem os poetas. Caminha sem cessar, como fazem os viajantes. Mergulha em nossos espíritos, como fazem os que têm certeza.
Leonardo Boff é um profeta, aquele que antevê e prediz. Intelectual que merece ser lido, ouvido e aplaudido.
Na entrevista exclusiva que concedeu ao “Estação de Palavras”, Boff fala do projeto infinito que é o ser humano, da proliferação de Ong´s, de solidariedade e deixa um recado aos jovens.

EP - Diante de tantas crises por que tem passado o planeta, com índices crescentes de pobreza e exclusão social, como atender as questões de preservação ambiental e sustentabilidade num cenário caótico?

LB - Dentro do modo de produção capitalista não há solução para a crise ecológica. É premissa de toda a acumulação capitalista que se explore todos os recursos naturais, que se faça no tempo mais rápido possível e com o menor investimento que se puder, sem solidariedade para as atuais e as futuras gerações. A questão do atual sistema se resume nisso: como ganhar mais? Esta lógica é destrutiva da Terra. Devemos assumir outras premissas que impliquem respeito pelos limites dos recursos, cuidado para com todas as formas de vida, justiça planetária que permita incluir todos os seres humanos nesta única Casa Comum que temos, obedecendo a este propósito: produzir sim, mas em harmonia com a natureza e com os demais seres humanos. Se não fizermos esta virada, iremos fatalmente ao encontro do pior.

EP - Como encara a proliferação de Ong´s por todo o país? Quais são hoje os maiores desafios dentro do contexto social de violência e discriminação em que vivemos?

LB - As ONGs nasceram e nascem por causa da insuficiência de representatividade por parte dos partidos e pelo fato de que o Estado sozinho não dá conta de atender a todas as demandas de uma sociedade complexa como a nossa. Os partidos não canalizam as forças que fermentam na sociedade, apenas representam interesses, especialmente das classes poderosas. Se não resolvermos o grave problema da injustiça social que afeta grande parte da população, teremos que conviver permanentemente com a violência. A violência das ruas e das comunidades carentes das periferias ou morros é violência segunda, fruto da violência primeira que é a forma como se organizou a sociedade ao redor de privilégios e não de direitos, excluindo grande parte da população do contrato social e dos benefícios mínimos de uma sociedade humanizada com saúde, educação, moradia, trabalho e segurança. Enquanto não se fizer uma reforma agrária integral, as cidades continuarão inchando por aqueles que não aceitam mais viver miseravelmente no campo, sem terra, sem assistência e sem salários decentes.

EP - Ainda é possível que a humanidade reencontre a sacralidade e o verdadeiro sentido da da vida? A cultura da superficialidade é uma ameaça?

LB - O ser humano é um projeto infinito. Ele é devorado por duas fomes: a de pão - que é saciável - e a de beleza, de comunicação, de felicidade e de transcendência - que é insaciável. O sentido da vida se encontra no equilíbrio destas duas fomes. Ocorre que a nossa cultura é materialista, pois só se concentra no pão e seus derivados, que é a acumulação de bens materiais, sempre de forma perversa, muitos bens para poucos e poucos bens para muitos. Precisamos dar centralidade à gratuidade da vida, à amizade, à convivência fraterna, ao amor, à alegria, à busca sensata da felicidade, ao viver mais com menos. Esses valores não têm preço e não se encontram no mercado, nem nas bolsas nem nos bancos. Mas se encontram no coração, lugar das excelências, daquilo que vale a pena e nos pode fazer felizes.

EP - Sua trajetória intelectual evoluiu sempre ao lado de uma postura política firme. Pretende apoiar a senadora Marina Silva, caso seja candidata à presidência da república?

LB - Marina Silva é uma antiga amiga desde os anos 70 quando ia, durante 10 anos, todos os janeiros e julhos ao Acre para acompanhar as comunidades eclesiais de base e os povos da floresta junto com Chico Mendes, Marina Silva, Jorge e Tiao Viana e outros. Sei de sua trajetória heróica e de sua determinação de mulher amazônica, de seu compromisso pela vida, pela questão dos desmatamentos, dos climas, das florestas, dos povos humilhados. Marina Silva é uma causa. O mais importante é que a partir de agora ela irá levar para a sociedade a bandeira da ecologia, não apenas da ecologia ambiental, mas também da ecologia social que tem a ver com a superação da miséria do povo, da ecologia mental, suscitando novas mentes novos corações para enfrentarmos os desafos da atual situação global. Seguramente seu mérito será obrigar todos os partidos a assumirem a agenda ecológica, do aquecimento global e de um desenvolvimento possível dentro dos limites da Terra e dos ecossistemas. Se for candidata a apoiarei, pois ela está à altura dos atuais desafios e tem a postura certa que beneficiará nosso pais e a inteira humanidade.

EP - Qual é sua expectativa em relação aos jovens?

LB - Eu acredito que a salvação vem de baixo, dos jovens, daqueles que ainda são portadores de sonhos, daqueles que não se resignam a apenas consumir e a ser meros reprodutores do sistema perverso imperante, mas exercitam a fantasia, criam coisas novas e ensaiam um novo modo de habitar este pequeno planeta com respeito, com trabalho não destrutivo da natureza, com sentido de solidariedade universal e com amor à Terra, nossa Mãe. É por eles que passa o novo e aquilo que deve ser. E o que deve ser tem força.

sábado, 29 de agosto de 2009

Ferreira Gullar Dentro da Noite Veloz


NO CORPO
De que vale tentar reconstruir com palavras
o que o verão levou
entre nuvens e risos
junto com o jornal velho pelos ares?
O sonho na boca, o incêndio na cama,
o apelo na noite
agora são apenas esta
contração (este clarão)
de maxilar dentro do rosto.
A poesia é o presente.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Em busca da felicidade


Uma pesquisa realizada pela UERJ, que processou o questionamento sociocultural preenchido por candidatos que prestaram o vestibular da instituição, revelou que os jovens não estão escolhendo suas futuras profissões com base no dinheiro.
Com toda certeza, estão preferindo ser felizes.

Criança diz cada uma...


“Mamãe, você não disse que a titia tinha duas caras? Eu tô olhando e ela tem uma só...”
(Menina de 6 anos entregando a mãe na frente da tia)

Transcrito da Revista O Globo

sábado, 31 de janeiro de 2009

Leitores, a vida nos enreda de tal jeito...





A vida nos enreda nos amarra nos prende de tal jeito... que volto meio sem jeito...

Queridos, atualizarei este Blog logo logo.

Grande beijo. Saúde e Paz a todos!