sábado, 17 de julho de 2010

A bola e o livro


"A má distribuição de renda no país, os megapatrocínios, a idolatria constante na nossa cultura fazem surgir pessoas despreparadas para o uso de tanto dinheiro, enquanto escolas despencam, hospitais deixam de atender ao mais simples diagnóstico, aposentados choram pelo minguado aumento. Até quando isto vai continuar? A sociedade já não suporta ver estes "ídolos" na mídia. Por que os salários não são igualitários? Por que se concedem altos aumentos na política? Por que alguns artistas ganham a peso de ouro? Por que jogadores ganham tanto dinheiro e poder sem ter ficado nos bancos escolares? Por que tanto interesse das empresas em patrocinar estes jogadores? Será que uma bola é mais valiosa que um livro?"
(Carta escrita por Maria Marta Nascimento Cardoso, publicada no Jornal O Globo em 11 de julho de 2010)

domingo, 27 de junho de 2010

Machado de Assis: leituras dramatizadas na ABL Rio começam dia 5 de julho


A Academia Brasileira de Letras convida para a abertura do Ciclo Leituras Dramatizadas, sobre o tema "Dramaturgias de Machado de Assis", com o Grupo Dramaturgia de Sempre.
A primeira série de eventos será as leituras de novos textos da “Dramaturgia de Machado de Assis”, a partir da perspectiva adotada pelo Ciclo de que a sua obra deve ser continuamente reapresentada aos jovens, tornando-a familiar aos potenciais novos leitores do autor.
A leitura a ser realizada será "O Protocolo", com apresentação no dia 5 de julho, às 15h, no Teatro R. Magalhães Jr., com entrada franca.
O evento tem a coordenação geral de Sílvia Eleutério e a produção de Márcia Kaskus.

Para o público infanto-juvenil: as escolhas que fazemos


A MENINA MARCA-TEXTO
Isabela Domingues – Editora Calibán - 54 páginas – R$ 25,00

A Menina Marca-Texto conta as aventuras de uma garota curiosa em busca de um livro especialíssimo dentro de uma biblioteca. Uma história sobre as escolhas que fazemos o tempo todo e demonstram o que é, na verdade, importante para cada um de nós. Com uma linguagem envolvente, ilustrações bem-humoradas e uma narrativa superdinâmica, a autora é capaz de despertar nos leitores de todas as idades a reflexão sobre seus próprios valores e atitudes.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Recomendado lançamento de Maria Helena de Moura Neves


A Editora Contexto acaba de lançar "Ensino de língua e vivência de linguagem", escrito pela professora Maria Helena de Moura Neves, grande referência nos estudos da língua portuguesa. O livro tem 288 páginas e custa R$ 35,00.

Apresentação da obra pela Editora:

No Brasil, infelizmente ainda temos a absurda visão de que a gramática constitui um conjunto de esquemas isolado e autônomo, a que o aluno tem de simplesmente ser apresentado, para irrefletidamente se entregar à sua catalogação.
Neste livro, a professora Maria Helena de Moura Neves mostra a gramática da língua como a responsável pela produção de sentido na linguagem, pelo entrelaçamento discursivo-textual das relações estabelecidas na sociocomunicação. Ao longo de treze capítulos, a autora elucida a visão da linguagem confrontada com a realidade da língua e qual o lugar da gramática na escola. Um equilíbrio coeso entre teoria e sua aplicação na prática. Pois é necessário ter atenção às modalidades falada e escrita da língua bem como à pertinência de estudos do português falado sob um aparato teórico.
Ensino de língua e vivência de linguagem: temas em confronto se destina a todos os que se interessam por uma proposta escolar de tratamento da gramática que não se isole da vivência da linguagem, que ponha em estudo, realmente, a gramática da língua em função. Leitura imprescindível a professores, pedagogos e estudantes.

sábado, 29 de maio de 2010

A Era do Radioteatro é um registro histórico


A Era do Radioteatro é uma obra não só para aqueles que curtiram as novelas e os programas humorísticos como também para quem quer conhecer uma época pujante do nosso rádio, que arrebatava emoções e que fazia o Brasil vibrar.
Em suas 340 páginas o leitor vai se deparar com histórias deliciosas, depoimentos e fotos de época, além de relembrar os comerciais de anunciantes e morrer de rir com as radiocacetadas (as gafes protagonizadas pelos atores num tempo em que tudo ia pro ar ao vivo).
O livro conta a saga do radioteatro no Rio de Janeiro, desde suas primeiras experiências nos anos trinta até seu declínio nos anos oitenta, mostrando as adaptações pelas quais passou o gênero até nossos dias, desvendando os bastidores e descrevendo como eram os estúdios de radioteatro e a tecnologia empregada na época.
Enfim, trata-se de um registro da história de um gênero que emocionou o Brasil, produto de uma pesquisa feita, durante dez anos, por Roberto Salvador, professor universitário que começou a carreira em rádio, aos 13 anos de idade, em programas da Rádio Nacional, e que chamou para si a responsabilidade de contar essa história.

domingo, 16 de maio de 2010

"Vou contar um segredo" - lançamento



Livro infantil do multimídia Zé Zuca será lançado dia 22/05 - 17 horas - na Livraria Saraiva do Botafogo Praia Shopping. Na ocasião, o autor apresentará um interessantíssimo "pocket show", que promete agradar crianças e adultos.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Livro é um ser vivo

Estava eu posta em sossego sábado à noite, quando me ligou Pedro Lago, desesperado:
- Já mandou o arquivo do livro para a gráfica?
Eu respondi:
- Sim, claro.
- Ih, encontrei outro erro.
- Onde?
- Na citação de Balzac. Tem um R a mais numa palavra e nós não vimos...
- Esse é um erro fácil de passar, depois de tantos que já pegamos...

O livro passou por três provas de gráfica, fora as duas antes de mandarmos os arquivos para impressão. Mas não adianta: quantos mais erros houver no original, mais tempo levaremos para pegar todos, isto é, se quisermos pegar todos. Pois o olho não funciona como um instrumento de precisão. O olho é vago. Ele vê o que quer e o que ele não quer ver, descarta. Oblitera. Sublima.
Assim, toda revisão tem de ser feita de modo regular, periódico, sistemático e, se possível, por quem nunca tenha visto o livro antes.

- Como você encontrou o erro?
- Pedi a meu amigo para ler a citação em voz alta e aí ele viu que estava errado.
Eu disse:
- Pois é, você acabou de experienciar o livro dizendo para você onde ainda havia um erro. De onde você tirou a ideia de ler justamente a citação?
- Sei lá.
- É assim mesmo que funciona. O livro só pode nos fazer encontrar os erros que passaram por acaso, não tem outro jeito, pois nossa leitura é falha. A não ser que tenhamos todo o tempo todo mundo. Mas queremos ver o livro pronto, por isso não temos paciência para esperar.
- Entendi...

Pedro acabava de viver na pele como isso acontece. Pode ser que algum outro errinho tenha escapado. Nas sucessivas leituras que fizemos, eu e ele, sempre encontrávamos algo a mais que não tínhamos visto antes. E este (negligenciado por justamente estar logo na frente, e isso é comum) não poderia passar. Desse modo, de forma sutil, o livro indicou onde estava o erro, pedindo: "Leia-me."

Hoje topei com uma citação de Anaïs Nin: "Lemos aquilo que precisamos. Há quase uma força obscura que nos guia para determinado livro".

Isso eu experimento toda vez que entro numa livraria. O livro me "chama", seja lá onde ele estiver na prateleira. Realmente, é uma força estranha que entra em ação, me chamando para o livro onde ele está, debaixo de um, ao lado de outro, meu olhar busca o livro onde ele estiver escondido, e só pára no momento em que o encontra.

É uma mágica que se instala na atração irresistível de um livro chamando seu leitor: "Leia-me", da mesma forma que ele pede para ser corrigido antes de ficar pronto. É um apelo, um grito, uma dor, como se dissesse: "Corrija-me, por favor".

O antes e o depois de um livro ficar pronto cria uma energia elástica, uma sintonia plástica entre aquele que faz o livro e quem o compra para ler. Existe uma tensão entre aquilo que foi escrito e quem precisa lê-lo. E todas as forças entram em ação para que o objeto encontre seu fim, atinja seu destino.

"Lemos o que precisamos". Nem mais, nem menos. Se não sabe o que ler, espere: o livro o encontrará.

Rio de Janeiro, 10 de março de 2010 - 22h10
Texto de Thereza Christina Rocque da Motta
http://ibislibrisbooklog.blogspot.com