quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Onde foi parar o 'chapeuzinho'?


Com a reforma ortográfica, desaparece o acento circunflexo em “voos”. A antiga regra dos hiatos determinava que palavras terminadas em oo(s) e formas verbais terminadas em eem recebessem o acento.

Como a regra caiu, a grafia correta fica sendo:

voo / voos / enjoo / enjoos / creem / deem / leem / veem / releem / proveem / abençoo / perdoo

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Dicionário Aulete Digital na tela do seu computador



É muito prático fazer o download do Dicionário Aulete Digital.

Experimente, visite o site:
http://www.auletedigital.com.br/

domingo, 4 de setembro de 2011

As línguas estrangeiras (Texto de Francisco Bosco)



Lacan afirmava não haver um objeto com o qual se possa manter uma relação permanente de prazer. Mas, ressalva Barthes, "para o escritor esse objeto existe: é a língua materna". Nenhuma outra frase ilumina melhor a relação de amor e ódio (mais esse que aquele) que tenho com as línguas estrangeiras. Estar fora do português brasileiro é para mim como perder essa relação, de completude, da criança com a mãe. Então a língua se torna propriamente um objeto, apartado de mim, a que tento, sem jamais ter conseguido, integrar-me. "Estar fora do português brasileiro", disse acima; com efeito, neste caso a diferença, existente na nossa língua, entre ser e estar é crucial - pois só aqui, nessa língua, eu sou; nas outras eu apenas estou.
Estudo inglês desde criança, já passei uma temporada nos EUA, estou sempre em contato com a língua inglesa, lendo livros, vendo filmes, eventualmente falando com estrangeiros. É a língua estrangeira que conheço melhor; e ainda assim há uma diferença decisiva entre minha experiência com ela e a que tenho no nosso português. Como escritor, sou a nossa língua. Não há qualquer outro atributo, em mim, além da intimidade que tenho com o português, pelo qual eu me reconheça tanto. Logo, quando em língua estrangeira, deixo de ser eu, mas essa experiência de despersonalização, tão alegre em outros registros da existência, experimento-a aí como uma tristeza: pois torno-me então uma versão pálida, impotente, de mim mesmo. Não sou mais eu, mas também não chego a ser ninguém (como aqui, escrevendo, onde ser eu é a chance, por intimidade profunda com a língua, de tornar-me ninguém).
O escritor é aquele que sabe o peso de cada palavra, é quem fez de si um instrumento de alta precisão, um semantômetro, capaz de submeter cada palavra, em frações infinitesimais de um segundo, a cálculos complexos que levam em conta as suas significações possíveis, o contexto (por sua vez formado por outras palavras, submetidas ao mesmo cálculo, ao mesmo tempo), que determinará sua significação, a história de seu uso, a sua incidência atual na língua falada e escrita, entre muitas outras variáveis. É esse instrumento que, ao contato com a língua estrangeira, desafina. A língua sai do registro da alta definição para o da imagem desfocada. Quem tinha uma visão 20/2 (visão do falcão) passa a sofrer de miopia semântica. Para o escritor que sou, portanto, estar em língua estrangeira é como, para um craque de futebol, jogar com uma bola oval; para um passista, sambar na areia.
Sabe-se, entretanto, que há escritores apaixonados por línguas estrangeiras. Há a curiosa espécie dos tradutores, e ainda a exótica espécie dos trocalínguas, aqueles que passaram a escrever em outro idioma. Considero os primeiros mais radicais. Uma língua é como uma cidade: para conhecê-la além de sua epiderme, é preciso habitá-la. Assim como somos turistas num país estrangeiro que visitamos brevemente, somos turistas numa língua de um país que não habitamos, e podemos ser eternos turistas (como eu sou nas poucas línguas que falo). Mas os tradutores (os que nunca moraram no país da língua a traduzir) são essa espécie paradoxal de moradores a distância. Conhecem a língua estrangeira como se percorressem, minuciosamente, um google street view, explorando cada viela, cada beco, cada acidente do relevo. (Espanto: mas como saberão o que se diz na rua, e só nela se ouve?)
Os escritores trocalínguas - Beckett, Nabokov - são mais compreensíveis. É que eles mudaram de país, e a vivência na língua nova, o dia a dia (a supressão dos hífens deprimiu essa expressão) de sua prática, permitiu-lhes, pouco a pouco, afinar seu instrumento de pesar as palavras, e assim puderam escrever.
Quanto a mim, tenho prazer quando percebo minha evolução no conhecimento de uma língua estrangeira. Mas sempre esbarro com meus limites. Posso ler quase tudo em inglês ou francês. Textos teóricos são os mais fáceis, pois o vocabulário é mais restrito e muitas de suas palavras têm a mesma origem grega que seus correpondentes em português, logo a morfologia é próxima e reconhecível. Romances, posso lê-los muito bem quando são do século XIX (há exceções, como o difícil Flaubert); mas a ficção do alto modernismo é árdua (Joyce, Woolf, Faulkner). Mas romances já são, por si só, mais difíceis que teoria. Uma tradutora de Heidegger conta que, quando foi a Berlim pela primeira vez, deu-se conta de que não sabia pedir um pão. Num romance, como na vida, não existe o pão (o pão platônico): existe o pão francês, o pão careca, o árabe, etc. Já a poesia, essa é desanimadora. A poesia é uma língua estrangeira dentro da língua. É a periferia da língua. É preciso morar na língua, mesmo que a distância, para ler sua poesia.
Tenho muito prazer ao ler em voz alta textos em outros idiomas (o que não costumo fazer em português). Torno-me então estrangeiro pela boca, deixo um povo inteiro invadir e se apossar da minha cavidade bucal. Quando, contudo, tenho que falar a língua estrangeira, perco muito desse prazer, pois estou tão concentrado em me expressar adequadamente (em vão) que não consigo me deleitar com os fonemas estranhos.
Guardei o pior para o fim. A diferença fundamental entre ler textos em português e em outros idiomas é que, naquele, sempre sei por que não sei, enquanto que, nesses, nunca sei por que não sei. Só numa língua estrangeira pode-se ser ignorante ao quadrado.

FRANCISCO BOSCO é doutor em teoria literária pela UFRJ e colunista do jornal O Globo. Este texto foi publicado originalmente no Jornal O Globo (ago´2011). Que escritor maravilhoso!

sábado, 20 de agosto de 2011

José de Alencar e o projeto de uma literatura nacional


Você sabe em que momento histórico nasceu a literatura genuinamente brasileira? Foi quando o Brasil tinha acabado de ficar independente de Portugal e percebeu que precisava criar uma literatura própria. Um dos grandes responsáveis por esse acervo foi o romancista José de Alencar.
A professora Flávia Suassuna (foto) explica que um dos objetivos era evitar o estilo lusitano, traçando um perfil da cultura e dos costumes brasileiros na época. “Nossa literatura nasceu com o romance. José de Alencar tinha a meta de criar uma literatura nacional. É exatamente no berço do romance indianista que ele começa a fazer esse projeto”, diz.
Por esta razão, os índios foram os grandes personagens das histórias, que retratam o legado dos primeiros povos que habitaram o Brasil. Segundo a professora, os romances buscavam temas ligados à identidade nacional. “Na Europa, por exemplo, existia o resgate do ambiente medieval. A gente fez a mesma coisa aqui: buscamos num passado mitológico as raízes da nossa nacionalidade”, afirma.
A professora lembra que a obra “O triste fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto, retoma de uma forma crítica essa proposta indianista. Já o escritor Mário de Andrade, mais tarde, no período Moderno, revive e recria a questão indígena em “Macunaíma”.

FONTE: pe360graus

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Livro: A importância de ser prudente e outras peças


Muito da fama de Oscar Wilde se deve ao romance O retrato de Dorian Gray, mas foi como dramaturgo que ele alcançou o maior sucesso em vida, com as comédias de costumes Uma mulher sem importância, Um marido ideal e A importância de ser prudente, reunidas neste volume, agora lançado pela Penguin-Companhia.
Nas peças que em larga medida satirizam a alta sociedade vitoriana que jamais o aceitou de bom grado, Wilde aponta de maneira irônica para si mesmo. Há algo do autor nas observações cínicas de lorde Illingworth em Uma mulher sem importância, assim como no estilo de vida despreocupado de lorde Goring, o bon vivant que é a fonte de sensatez de Um marido ideal, e também no inconsequente dândi Algernon de A importância de ser prudente.
Com introdução e notas de Richard Allen Cave, diretor e estudioso do teatro britânico, a edição da Penguin-Companhia situa o leitor sobre o contexto em que as peças foram encenadas e as inovações que Wilde, um intelectual de grande apuro técnico, trouxe para a dramaturgia moderna.

424 pág.
R$ 28,50

terça-feira, 12 de julho de 2011

Nelson Rodrigues: livro reúne 50 críticas sobre o dramaturgo


Incompreendido e mal-interpretado por muitos, ele nunca quis ser uma unanimidade – e nunca foi, em vida. Esse foi o perfil de Nelson Rodrigues, jornalista e escritor considerado o maior dramaturgo brasileiro de todos os tempos apenas anos após sua morte.
Tendo essa incompreensão em vista, a revista de ensaios Folhetim, do grupo carioca Teatro do Pequeno Gesto, reuniu um dossiê de críticas dirigidas a Nelson. São 98 artigos escritos entre 1942 e 2009, fruto de pesquisa em 15 periódicos nacionais.
Em formato de livro, a publicação celebra os 20 anos da companhia de teatro, cujas comemorações preveem também uma versão de Antígona, de Sófocles, e a montagem de Teatro dos Ouvidos, Valère Novarina.
A obra tem 432 páginas e reúne material digno de colecionador, como uma crítica sem assinatura, publicada no Diário de Notícias em 1942, sobre “A Mulher sem Pecado”, texto de estréia de Nelson, em que o autor da crítica afirma que “o sr. Nelson não faz teatro”.
Nelson Rodrigues e sua obra também são motivo de divisão entre os jornalistas. Em um artigo sobre “Boca de Ouro” no jornal Última Hora, em 1961, o escritor e jornalista Paulo Francis assume já ter escrito “muita besteira” a respeito das obras rodrigueanas. O próprio diretor do Teatro do Pequeno Gesto, Antonio Guedes diz que “Nelson não é consenso total. Até hoje tem gente que não entende suas peças”.
Folhetim será lançado dia 20/07 pela editora Pão e Rosas, mas já pode ser adquirido por meio do endereço: folhetim@pequenogesto.com.br - Preço R$ 35.

FONTE: Portal Comunique-se

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Toda Palavra

“O silêncio não quer ser sozinho, então ele fala
Quem escreve ouve porque cala
Quem escreve escrava
O que o silêncio
Palavra”

Poema de Viviane Mosé